19 de setembro de 2015

O que aí vem



Jazz
No jazz é tudo tão instantâneo que mais vale começar por aqueles cujo limiar de atenção é reduzido, lembrando que para a semana chegam discos novos de Jon Irabagon, Fred Hersch e Rodrigo Amado, a que se devem seguir outros não menos cruciais de Dave Douglas e Barry Altschul. Claro que localmente (e não só) será impossível contornar a Clean Feed, que tem uma surpresa para novembro: o quinteto de Nate Wooley a tocar Wynton Marsalis! Mas trata-se, apesar de tudo, de um começo de outono algo lúgubre, com edições póstumas de Masabumi Kikuchi (ECM) ou de Kenny Wheeler & John Taylor (Cam Jazz) já agendadas. Quem deu voz a sentimentos destes, pelo menos desde ‘September of My Years’, foi Frank Sinatra, cujo centenário de nascimento se assinala em dezembro. Está nas lojas uma aliciante retrospetiva (“Ultimate Sinatra”, em versão quádrupla, na Universal) e outra se anuncia (“A Voice on Air: 1935-1953”, na Sony). Em matéria de concertos, Rodrigo Amado e Matthew Shipp reúnem-se em Lisboa, no Teatro Maria Matos, no Dia Mundial da Música, e há em outubro três festivais a destacar: Angra Jazz (1 a 3, com René Urtreger ou Lee Konitz), Out Fest (8 a 11, com Matana Roberts ou Peter Brötzmann) e Seixal Jazz (16 a 24, com Carlos Bica ou Gary Bartz).

Música do Mundo
Na aproximação ao Womex, anuncia-se que a Glitterbeat, pelo segundo ano consecutivo, será no certame distinguida com o prémio de ‘Editora do Ano’. Leva na mala um disco dos brasileiros Bixiga 70 e tem já agendada a reedição de “Day of Radiance”, de Laraaji, arauto da meditação que, por sinal, estará por esses dias em Portugal acendendo paus de incenso no Barreiro (Out Fest, 11.10). Nada estranhas a tais delicadezas, vêm cá duas figuras com nomes que se perdem na poeira do tempo e cujas canções quase fazem parar a rotação da Terra: Arianna Savall, que toca na Gulbenkian (04.10), e Vashti Bunyan, que canta em Lisboa (Maria Matos, 30.10) e no Porto (Culturgest, 31.10). Continuam a chegar poucas novidades às lojas mas uma a não perder será “Musique de Nuit”, de Ballaké Sissoko e Vincent Segal.

Música erudita
Lang Lang, que grava pela Sony e tem novo disco a 9 de outubro, vale por dois e até no nome é pleonástico. Por isso, na guerra do ópio mediático da rentrée, a Deutsche Grammophon anuncia lançamentos dos seus ativos Yundi e Yuja Wang. Quem prefere mergulhar no passado sabe que se assinalam os tricinquentenários de Sibelius e Nielsen – e dá para ir de carro até ao Báltico no tempo que se demoram a ouvir os caixotes com as suas obras espalhados pelas lojas. Também Radu Lupu, que faz 70 anos em novembro, terá direito a um baú, na Decca. Ainda em matéria de efemérides, a Harmonia Mundi antecipa o centenário de Dutilleux. Ao vivo, há boas razões para se tirar o cheiro a naftalina da roupa. Atente-se, por exemplo, a duas instituições: à Casa da Música, no Porto, onde vão as irmãs Labèque (09.10), Leticia Moreno (a 30.10, tocando o “Concerto para Violino” de Luís de Freitas Branco) ou Andreas Staier (03.11); e à Gulbenkian, em Lisboa, por onde irão passar Jordi Savall (11.10), a Sinfónica Juvenil de Caracas (17.10), Leonidas Kavakos (25.10), Nelson Freire (01.11) ou Leif Ove Andsnes (06.12).

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