12 de março de 2016

14ª Festa do Jazz do São Luiz



Móvel, como o feriado da Páscoa, a Festa do Jazz do São Luiz chega este ano mais cedo. E Carlos Martins, o seu diretor artístico, escorregando em metáforas, não cabe em si de tanto que tem para dizer: “Estamos no fim de uma curva que está a chegar a uma meta, a dos 15 anos!”, exclama. “Este ano e pela primeira vez a Festa dura 5 dias e 5 noites”, “pela primeira vez a abertura da Festa, a pré-Festa, é realizada exclusivamente com músicos de outras partes da Europa, de Berlim”, “pela primeira vez teremos uma residência internacional”, prossegue, contrariando uma tendência há muito entranhada em apresentações deste tipo, a do infeliz que se cansa de pedir esmolas de luz por terras de escuridão. Reclama inspiração “na vida e na mudança de vontades que aconteceram recentemente em Portugal.” E também no seu último disco dedica um tema “a quem liderou a mudança a 26/11/15”. É com essa música que sobe o pano no Teatro São Luiz, na quinta, precisamente um dia depois do tal contingente alemão ter inaugurado o certame com atuações na Escola de Música do Conservatório Nacional. Já na sexta se destaca a presença do trio Kuára, composto por instrumentistas que se aproximam do folclore com o zelo do primeiro missionário a chegar a uma tribo remota. Sábado o vernáculo é mais familiar: tocam grupos de Carlos Barreto, César Cardoso, Rodrigo Amado ou André Fernandes e os coletivos LUME e TGB. Domingo é a vez de Slow is Possible, Cinema & Dintorni (às voltas com Rota ou Morricone), do trio de João Paulo, da Big Band do Município da Nazaré, e de conjuntos liderados por Susana Santos Silva e pelo jovem acordeonista João Barradas, este com Greg Osby. Ao longo do fim de semana tocam grupos de 16 escolas de música, muitos deles com vocalistas. Parece que Portugal é o novo país das cantoras.

Sem comentários:

Enviar um comentário