5 de março de 2016

Portalegre JazzFest 2016



Em dois fins de semana, evadindo um rapto quotidiano, volta o jazz a Portalegre para nova edição do JazzFest – façam figas, a 13ª. E inicia-se, sexta, dia 11, com a voz da norueguesa Mari Kvien Brunvoll, que canta como uma estrige e saca do embornal kissanges e kazoos, saltérios e teclados, pedais de efeitos e instrumentos de percussão. Acompanha-a Stein Urheim. Juntos (na foto), têm um disco com um título tirado a Bertrand Russell, sugerindo que a arte está de permeio entre as ciências exatas e as ocultas. No sábado, chega o sazonado quarteto de Carlos Martins, outro que crê que nenhuma música – nem ninguém – existe verdadeiramente a sós no mundo. Num novo CD, o seu veludíneo tom erra por uma vaga ideia de sul, mais afetiva que efetiva, e do jazz extrai a prática e a poética. A cada um destes concertos segue-se uma atuação de Miguel Mira, Pedro Sousa e Afonso Simões, algo que se comporta, num instante, como se a um pássaro alvoroçado se arrancasse a retriz e, noutro, aparenta esvoaçar por rotas há muito definidas. Há um aroma panteísta neste texto que se poderia aplicar a “Earth Blossom”, um histórico registo de John Betsch, editado pela Strata-East. Pois é de Betsch, em trio, com Eric Revis e Kris Davis, que se espera o mais belo momento do certame, sexta, dia 18. Já na noite seguinte, avezado ao rock mas abordoado por muito mais, Chrome Hill dispensa tais considerações. Em complemento a cada serão está o septimino Slow is Possible, cuja denominação é contrariada por temas de andamentos sezonáticos, tão estáticos quão logo movidos por uma vivacidade que mostravam não poder possuir.

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