9 de agosto de 2014

Jazz em Agosto (antevisão de 9 e 10)



Termina este fim de semana, na Gulbenkian, a 31ª edição do "Jazz em Agosto" e é como se de uma viagem no tempo se tratasse. Hoje, às 18h00, no Auditório 3, exibir-se-á “Step Across the Border”, um retrato de Fred Frith filmado entre 1988 e 1990 por Nicolas Humbert e Werner Penzel. De tendência ensaística, é tão bem sucedido a aventar uma ficção etnográfica à medida de uma metrópole quão realizado é a documentar exercícios de cosmopolitismo em meios rurais. Ao sobrepor uma mão cheia de participantes a contar para a câmara um famoso paradoxo budista sugere uma magistral metáfora para a improvisação. Disso mesmo se encarregarão Frith, Bill Laswell e Charles Hayward – os Massacre – às 21h30 no Anfiteatro ao Ar Livre. Ainda uma celebração do “aqui e agora” – conforme o guitarrista disse ao Expresso, em entrevista publicada na semana passada –, não deixará de lado o sabor amargo daquela energia que se podia comer à dentada ao andar pelas ruas de Nova Iorque no início dos anos 80. Curiosamente, amanhã, às 18h00, quando se projetar no Auditório 3 a gravação do concerto que Terje Rypdal veio dar ao festival em 1985, é outro power trio que se evocará, e é outra razia às tipologias musicais que se fará. Tudo sintoma de uma era em que Marco Barroso estaria como peixe na água. O seu L.U.M.E. – Lisbon Underground Music Ensemble encerrará o certame – amanhã, às 21h30 no Anfiteatro ao Ar Livre – e consigo, além de um acrónimo francamente sugestivo, virão estruturas ingénuas e engenhosas, com algum perigo, ruído e propósito, como um metropolitano a atravessar estações à hora de ponta.

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