18 de abril de 2014

Kris Davis “Massive Threads” (Thirsty Ear, 2013) & Kris Davis Trio “Waiting For You To Grow” (Clean Feed, 2014)



 
Regressa aos discos a solo Kris Davis – o anterior nesse registo, “Aeriol Piano”, era de 2011 – e, por uma vez, o que se nota é a mecanização de certos recursos. O que só confirma que nem mesmo os mais singulares pianistas são desprovidos de maneirismos. Talvez daí resulte uma afinidade com Monk, neste “Massive Threads” revisitado através de ‘Evidence’, embora a canadiana o agarre como uma decoradora desinteressada em combinar materiais ou sequer a adaptá-los aos espaços a que se destinam. O ritual minimalista de ‘Ten Exorcists’, o romântico fraseado de ‘Desolation and Despair’ ou os espasmos rapsódicos de ‘Intermission Music’ comungam do evangelho pós-modernista mas o mais excitante que possuem é o humor que nos seus títulos se subentende. Há nisto uma qualidade preambular que reduz o escopo da operação. Derradeira peça: ‘Slow Growing’. Aproveitando a deixa, já a reincidência no trabalho com o trio de “Good Citizen” (Fresh Sound New Talent, 2010) se revela de maior interesse histórico, conquanto ampare uma forma interpessoal de afirmação de personalidade e se arrisque a figurar no blog “Shut The Fuck Up, Parents” (quem comprar o CD há de perceber). Mas é sedutor o seu triângulo de estilos: John Hébert continuamente relaxado, Tom Rainey com uma ousadia absolutamente idiossincrática, Davis de uma teatralidade quase arquitetural. As fórmulas conduzem ao fracasso – ao sucesso, também.

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