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10 de fevereiro de 2014

Heat: The Genius of Robson Jorge and Lincoln Olivetti, Vol. 3



From the late 70s to the mid-80s the Brazilian duo of Robson Jorge and Lincoln Olivetti wrote, performed on, arranged and produced dozens of hit songs for a variety of artists, from washed out has-beens to go-getter up-and-comers to established superstars. Their style was unique and became the symbol of an era until a huge critical backlash deemed it as too formulaic and aloof and drove it to oblivion. This third mix dedicated to the duo has the following tracklist:

Robson Jorge & Lincoln Olivetti “Eva”
Robertinho do Recife “Alguém Especial”
Wilma Dias “La Massagiste”
Fernanda Fera “O Grande Lance É Fazer Romance”
Simone “Depois das Dez”
Fafá de Belém “Cio”
Silvia Di “Sonhos Dentro da Cabeça”
Angela Ro Ro “Preciso Tanto!”
Zizi Possi “Dê Um Rolê”
Marina Lima “Transas de Amor”
Anne Duá “Indecente “
Solange “Fera Radical”
Ney Matogrosso “Amor Objeto”
Lulu Santos “Scarlet Moon”

Cover: actor Edson Celulari and actress and dancer Wilma Dias on the Palladium nightclub, Rio de Janeiro, early 80s

11 de setembro de 2010

Ney Matogrosso "Beijo Bandido"

Retiradas de ‘Invento’, a canção de Vitor Ramil que diz “Vento (…) / leva um beijo perdido / um verso bandido / um sonho refém”, as palavras que dão título a este disco (no Brasil editado em 2009 mas este ano lançado em Portugal) enunciam um programa eminentemente matogrossiano. E evocar a sombra da traição no mais íntimo dos gestos públicos serve, obliquamente, para que Ney se debruce novamente sobre a impossibilidade do amor – ou melhor, sobre o seu fim. Porque repetidamente se manifestam irrealizáveis as suas promessas, não se pode dizer que lhe falte – o cantor torna a revelar-se um exemplar curador de canções – matéria-prima para o desenvolvimento de um discurso que mesmo nas suas insignificâncias identifica o substancial (em ‘De Cigarro em Cigarro’, de Luiz Bonfá, declama “outra noite esperei / outra noite sem fim, aumentou meu sofrer / de cigarro em cigarro / olhando a fumaça no ar se perder”, enquanto que em ‘Nada por Mim’, dos Kid Abelha, esclarece que “você me diz o que fazer / mas não procura entender / que eu faço só pra te agradar / me diz até o que vestir / com quem andar, onde ir / mas não me pede pra voltar”). A unidade temática num repertório que atravessa décadas – incluindo ‘Medo de Amar’, de Vinicius de Moraes, ‘A Bela e a Fera’, de Chico Buarque e Edu Lobo, ‘À Distância’, de Roberto e Erasmo Carlos ou ‘Doce de Coco’ de Hermínio Bello de Carvalho e Jacob do Bandolim – implica o reconhecimento deste ideário que desfia paixão e desejo. Também os arranjos, escritos por Leandro Braga para piano, violoncelo, violino e percussão, e que aproximam este de álbuns como “Estava Escrito”, “As Aparências Enganam” ou “Pescador de Pérolas”, o sublinham. Mas mais importante será comprovar como a voz do quase septuagenário se adequa a minúcias interpretativas que só aí ganham plena expressão. Porque, em Ney, é frequente cumprirem-se as canções.