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21 de setembro de 2013

Ebo Taylor & Uhuru Yenzu “Conflict” (Mr. Bongo, 2013) & Gyedu-Blay Ambolley “Simigwa” (Academy Lps, 2012)




 
Decorrida uma década desde “GhanaSoundz”, articulam-se agora os elementos díspares nessa pioneira assemblagem. E Marijata, Sweet Talks, K. Frimpong, Ebo Taylor ou Gyedu-Blay Ambolley não são mais meros representantes no eBay de um país de horizontes esquadrinhados por aventureiros em busca de obscuro vinil. Mas um tempo houve em que aparentaram ser pouco mais do que isso – um quase nada que ganhava gratífica expressão na casa das centenas de euros, inspirando ressentimento face a esses viajantes que raramente se explicavam e que, quando o faziam, faziam-no mal. O colecionismo era sinónimo de opressão e DJ voltavam do Gana como conspiradores a regressar de ferinos conciliábulos – seguindo a sua atividade de perto, no entanto, dir-se-ia que o maior dos seus pecados, tal o rombo no orçamento familiar, seria não fazerem as respetivas mulheres partícipes das suas ações. Afirmar-se-ia depois que a restauração de carreiras se dava por pressão do mercado, não pela fantasia. Taylor e Ambolley, cúmplices nos Uhuru Dance Band ou Apagya Show Band, com discos novos no ano passado, teriam algo a dizer a quem umas vezes utiliza a lógica e outras a demagogia. E quando se disponibilizam as suas obras-primas – “Conflict”, de 1980, e “Simigwa”, de 1975, excêntricas bissetrizes no afrobeat e highlife – prova-se que, quanto muito, foram culpados do que ninguém poderá levar a mal: acreditar que uma só vez se produziria a exploração do homem pelo homem.

7 de agosto de 2010

Hedzoleh Soundz "Hedzoleh" & Sweet Talks "The Kusum Beat"

Como a Sublime Frequencies ou a Soul Jazz também a Soundway se dedica agora à reedição de álbuns originais, reduzindo assim o impacto da sua própria mediação. No caso, cria condições para que se entenda hoje, e nos seus termos, o movimento dos que no Gana de meados de 70 ousaram ter mão no seu destino. Então, dezenas de grupos com raízes no período de ouro do highlife aí asfixiavam lentamente – o país em depressão desde que a CIA patrocinou o derrube de Kwame Nkrumah – enquanto, seguindo o exemplo de Osibisa ou Guy Warren, aspiravam sair para o Togo, Benim ou Nigéria. Não admira que se dedicassem a uma premissa comum na música popular africana do período: conciliar elementos de distinção folclórica que garantiam características únicas com recursos ocidentais (de Santana a James Brown) de instantâneo reconhecimento. Hedzoleh Soundz e Sweet Talks cumpriram o desígnio e, por sinal, partiram mesmo: os primeiros levados por Hugh Masekela, que lhes testemunhou um concerto na comuna de Fela Kuti e viria a adoptar como banda de apoio em “Introducing Hedzoleh Soundz” e “I Am Not Afraid”, e os segundos com um “Hollywood Highlife Party” gravado em Los Angeles em 78 durante uma digressão com os Crusaders. Mas, no entanto, por mais que fitassem o firmamento, certamente nem em sonhos o anteviram quando nestes manifestos de liberdade e fantasia se entregaram à ideia de um mundo em que pudessem caminhar de cabeça erguida.