Prossegue a Universal a ativação de
parte significativa do seu arquivo no que concerne intérpretes de exceção. E se
desta feita não se pode dizer que venha assinalar uma efeméride em particular, tudo
é tão extraordinário em Martha Argerich que sobram invariavelmente razões para
justificar qualquer antologia que lhe seja dedicada. Pode, então, considerar-se
que esta integral de gravações para a DG e para a Philips vem celebrar o 65º
aniversário do primeiro registo da pianista; ou recordar, quiçá, que foi há
seis décadas que venceu a Competição Internacional Chopin; ou, até, que se
passaram 40 anos desde a edição de obras-primas como aquelas em que sujeitava
ao seu encanto o “Gaspard de la Nuit”, de Ravel, ou a “Sonata Nº2” de Chopin; e
que foi exatamente há 30, após um precoce afastamento da atividade de solista,
que se iniciou a publicação de bem-aventuradas parcerias com Kremer e Maisky
(que a conduziriam às sonatas de Beethoven, claro, mas também, e
memoravelmente, às de Bartók, Janácek e Prokofiev). Com Abbado tem um
inolvidável “Concerto para Piano e Orquestra Nº1”, de Tchaikovsky, e com
Kovacevich tem uma “Sonata para Dois Pianos e Percussão”, de Bartók, que lembra
o que o norte-americano disse um dia a seu respeito: “Se Mercúrio tocasse, soaria
como ela”. E a solo, dos “Prelúdios” de Chopin à “Kreisleriana” de Schumann, traz
à memória um depoimento seu à revista “Fono Forum”: “Ninguém sabe o dia de
amanhã. Aliás, eu nem sei o que é que vou estar a fazer daqui a dez minutos.
Por isso não levo nada disto a sério. Menos quando toco piano. Aí fico
completamente possuída.”
Textos publicados no semanário português Expresso/ Published on the Portuguese weekly Expresso [2009-2021]
Mostrar mensagens com a etiqueta Philips. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Philips. Mostrar todas as mensagens
5 de dezembro de 2015
Martha Argerich “The Complete Recordings on DG” (Deutsche Grammophon, 2015)
Etiquetas:
Béla Bartók,
Clássica,
Claudio Abbado,
Deutsche Grammophon,
Frédéric Chopin,
Gidon Kremer,
Leos Janácek,
Martha Argerich,
Maurice Ravel,
Mischa Maisky,
Philips,
Sergei Prokofiev,
Stephen Kovacevich
17 de outubro de 2015
Stephen Kovacevich “The Complete Philips Recordings” (Decca, 2015)
Deu-se a conhecer como Bishop,
depois passou a Bishop-Kovacevich, até que, por fim, só lhe restou o apelido
croata e, no trato, pouco sobrou de uma vergonha qualquer que o parecia perseguir.
Íntimos seus, referindo-se à questão, dizem coisas como: “Stephen pôde então
ser quem era”. É um detalhe biográfico que amiúde se repete, embora, em rigor, não
possua toda a equivalência artística que se lhe pretende imputar: ao piano,
Stephen Kovacevich nunca deu mostras de ser menos que si. Cumpre hoje os 75
anos e, nas lojas, comprova-o esta integral para a Philips (gravações entre
1968 e 1983). Faz-se a convocação do insólito (um “Jazz Calendar”, de Rodney
Bennett, que colocava solistas como Tony Coe ou Kenny Wheeler ao serviço de uma
peça a emular o cool jazz), mas sobressaem mais velhos
cavalos de batalha (o K. 467 ou o K. 488, de Mozart, algo refreados; o concerto
de Grieg, invulgarmente dedutivo, com a Sinfónica da BBC e Colin Davis praticamente
aborígenes; ou o de Schumann, cujo Intermezzo,
de tão empático, é quase coloquial). Mediu-se ainda espaço para revelações (o
sexto volume de “Mikrokosmos”, de Bartók, inédito em CD e, às suas mãos,
habitado por húmidas criaturas, rastejantes e noturnas) e curiosidades várias
(o seu Chopin, inesperadamente varonil; o Brahms, mergulhado em incensos, como
um brâmane; ou um disco de duetos com Martha Argerich, então sua companheira
doméstica). Acima de tudo, está cá Beethoven, a que deve a fama e que punha a discursar
sobre o transcendentalismo numa pronúncia rigorosamente prussiana, conjugando todo
o gosto da arte e todo o desgosto da vida.
Etiquetas:
Béla Bartók,
Clássica,
Decca,
Edvard Grieg,
Frédéric Chopin,
Johannes Brahms,
L.V. Beethoven,
Martha Argerich,
Philips,
Robert Schumann,
Stephen Kovacevich,
W.A. Mozart
Subscrever:
Mensagens (Atom)

