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10 de fevereiro de 2014

Springtime in Rio: The Genius of Robson Jorge and Lincoln Olivetti, Vol. 1



From the late 70s to the mid-80s the Brazilian duo of Robson Jorge and Lincoln Olivetti wrote, performed on, arranged and produced dozens of hit songs for a variety of artists, from washed out has-beens to go-getter up-and-comers to established superstars. Their style was unique and became the symbol of an era until a huge critical backlash deemed it as too formulaic and aloof and drove it to oblivion. This first mix dedicated to the duo has the following tracklist:

Gilberto Gil “Palco”
Robson Jorge & Lincoln Olivetti “Alegrias”
Banda Black Rio “De Onde Vem”
Bebeto “Não Vou Ficar”
Marcos Valle “Estrelar”
Sandra Sá “Guarde Minha Voz”
Junior Mendes “Copacabana Sadia”
Ronaldo Resedá “Kitsch Zona Sul”
A Cor do Som “Primavera no Rio”
Luiz Melodia “O Sangue Não Nega”
Kleiton e Kledir “Viva”
Joanna “Acreditar”
Cristina Camargo “Moral Tem Hora”
Emilio Santiago “Mais Que Um Momento”
Jon Lucien, Robson Jorge & Lincoln Olivetti “Come With Me to Rio”

Cover: a Betty Faria still from the "Baila Comigo" telenovela, 1981 - theme song by Robson Jorge and Lincoln Olivetti

5 de setembro de 2009

Emílio Santiago "Feito para Ouvir"

Antes das digestivas cançonetas em horário nobre, do exercício pronto-a-ouvir da série “Aquarela Brasileira” ou de sublinhar cochichos românticos nas novelas das oito, foi numa mão cheia de álbuns inicial que Emílio Santiago concentrou repertório ajustado à grandeza da sua voz. É um facto que o seu primeiro LP, de 1975, é hoje visto como um manifesto geracional, e que “Brasileiríssimas”, de 1976, o qualificava já – até no título – como um superlativo absoluto sintético para a verdade musical brasileira, mas de pouco serviriam os axiomas se não tivesse, logo a abrir 1977, gravado este programático “Feito Para Ouvir” com arranjos para quinteto de jazz de Laércio de Freitas. Porque será relativa ao génio a sua decisão de, com 21 anos, olhar para trás e recuperar a idiomática subtileza romântica de Dick Farney, Johnny Alf ou Pery Ribeiro como se, num fim de noite, estivesse de volta aos bares em que se tinha estreado a cantar o fim do amor. Durou um instante: meses depois, com “Comigo É Assim”, estaria novamente com os olhos postos no futuro. Mas foi nesta insuperável obra-prima que – a par de Nana Caymmi em “Nana” ou de João Gilberto em “Amoroso” – tornou exacta a música com que os outros apenas sonhavam.

25 de julho de 2009

"Black Rio 2"

Se é verdade que a vida são dois dias, narram-se agora os efeitos que no segundo tiveram as acções do primeiro. Isto é, a consequência na central MPB da suburbana versão-soul de União Black, Miguel de Deus, Copa 7, Toni Tornado ou Banda Black Rio. Mas se esses, reunidos por DJ Cliffy em 2002, tinham uma relação factual com esta história, o mesmo não se poderá dizer dos por ora reunidos. O que, por mais paradoxal que pareça, e independentemente de ter disso consciência ou não, só valoriza os instintos do inglês. Porque melhor reflecte o Brasil dos anos 70 e o ecletismo genético do movimento. E se tudo nasceu na rádio, bailes e colectâneas promovidas por Big Boy, Ademir Lemos e Mr. Funky Santos ou através da acção de Equipes de Som como Furacão 2000, Cashbox e a Soul Grand Prix de Dom Filó, não haverá mais definitiva prova quanto à absorção pela cultura popular brasileira da música negra norte-americana que a inclusão de Stylistics, Marvin Gaye, Stevie Wonder ou Jackson 5 na banda-sonora de telenovelas como “Ossos do Barão”, “O Bem-Amado” ou “Selva de Pedra”. Aqui, nota máxima para a enxuta ‘Coluna do Meio’ (Zeca do Trombone e Roberto Sax, 1976), a caprichosamente rossiniana (de Diana Ross) ‘Faz Tanto Tempo’ (Renata Lu, 1971), a síncope de Donato em ‘Bananeira’ (Emílio Santiago, 1975), o ebâneo suingue de ‘Supermarket’ (Pete Dunaway, 1974), o samba em fanicos de ‘Bobeira’ (Edson Frederico, 1975) e a ébria cuíca no proto-rap de ‘Poema Rítmico do Malandro’ (Zito Righi com Sonia Santos, 1969). Continua a faltar: Tim Maia. E, no mundo dos inéditos em CD, ficam os pedidos para o terceiro volume: António Adolfo, Eduardo Araújo e Silvinha, Celeste, Devaneios, Don Beto, Cláudia, Paulo Diniz, Erlon Chaves ou Waltel Branco.