1 de fevereiro de 2014

Angola Soundtrack 2: Hypnosis, Distortion & Other Sonic Innovations 1969-1978 (Analog Africa, 2013)



Reunidos pelo acaso ou por uma inexplicável afeição, os temas coligidos neste segundo volume de “Angola Soundtrack” não sugerem o tal mundo de “hipnose, distorção e outras inovações” proposto em subtítulo. Nem formam a banda-sonora exata de um período particularmente pletórico em que é fácil permitir-se que prevaleça o fortuito sobre o histórico. Isto porque, retomando a desdourada estratégia de 2010 – promulgada em “The Unique Sound of Luanda 1968-1976” – a compilação surge afetada por uma presunçosa curadoria que labora frequentemente no sentido contrário ao da verdade dos factos, sem com isso gerar mais-valia estética. Tome-se por exemplo o espaço alocado a instrumentais: quem ouça ‘Avante Juventude’, dos Anjos, ou ‘Bina’, dos Jovens do Prenda, a par de similares contribuições de Kiezos, África Ritmos, Águias Reais, África Show e Dimba Diangola, será levado a tomar a exceção pela regra. Para não falar da perversa omissão de cantoras, como se a narrativa de produção cultural e nacionalismo angolano que se pretende retratar não tivesse dependido também de figuras como Lourdes Van Dunem, Dina Santos, Belita Palma, Lilly Tchiumba, Alba Clington, Garda ou Tchinina – incompreensível face a uma lógica de autodefesa que justifica a inclusão dos obscuros Quim Manuel, Muhongo, Cisco ou Kito, e que ampara ensaios menores de Urbano de Castro ou Elias Diá Kimuezo. Depois dá-se o caso de quase metade da coletânea repetir material na última dúzia de anos publicado em antologias como “Soul of Angola”, “Angola Saudade” ou “Angola: As 100 Grandes Canções dos Anos 60 e 70”. Paradoxalmente, o melhor que possui é aquilo em que se tem de tocar: o livreto com entrevistas, recortes e fotos de época.

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