A sensação era de déjà
vu. A propósito, atentando à capa, dir-se-ia até que se transplantavam Crosby,
Stills, Nash & Young para a colina em que John Lennon e Yoko Ono inocentemente
repousavam em “Plastic Ono Band”. Ou seja, não sem ironia, “Stillness” restabelecia
a ordem natural das coisas – afinal de contas, a mudança – sob o signo da
quietude. Nada de estranho naquele que, tendo já saboreado como poucos o
sucesso, havia há muito convertido errância em identidade e transformação
interior em destino. Aliás, só a camisa às cornucópias de Sérgio Mendes,
prontamente coberta no verso do LP por um invernoso casaco de peles, denuncia a
época de que o disco provém. Por isso, talvez, uma seleção de repertório que
aponta para um plácido Laurel Canyon em que Joni Mitchell, Gram Parsons,
Jackson Browne ou Richie Furay tinham domesticado questões mais prosaicas, de
corações partidos à febre dos fenos. Mas, também, pois não se fala aqui propriamente
de seitas, para algo que terá ficado da década de 60: saber escutar os outros. Combinadas
com testemunhos de independência espiritual chegados do Brasil, eis ‘Chelsea
Morning’, com letra escrita pelo trânsito que passava junto à janela de
Mitchell, ou ‘For What It’s Worth’, em que Stills observava o impacto das
forças de repressão na ‘verdade das ruas’. Tudo isto o proverbial passo atrás
para que depois se dessem dois à frente? Nem por sombras. Mas, quiçá, nesse
1970, a necessária pausa para respirar de que precisa a música sempre que se
prepara para um recuo ainda maior. Ouça-se, já sem Lani Hall e assinados por
Brasil ’77, “País Tropical” ou “Primal Roots”, os tomos que se lhe seguiram.
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